O clássico GREEN BERET, também conhecido como RUSH’N ATTACK

Escrevo este breve artigo sobre este saudoso jogo, para pontuar participação na AmiGameJam 2021, evento internacional de desenvolvimento de jogos para o computador Commodore Amiga, cujo tema este ano são as conversões de fliperama.

                Originalmente conhecido como Green Beret (Boina Verde, membro das Forças Especiais do Exército dos Estados Unidos), e lançado em 1985 pela Konami inicialmente nos fliperamas, este também é o título que era usado nas conversões para os micromputadores clássicos dos anos 1980. Assim, o jogo teve conversões para Commodore 64, Commodore Plus/4, ZX Spectrum, Amstrad CPC, MSX, Atari 8-bit, BBC Micro, e Thomson. E nos consoles, foram conversões para Nintendo Famicom (Disk System), Game Boy Advance, Nintendo DS, Nintendo NES, e Xbox Live Arcade.

Capa da versão para Commodore 64

O título alternativo RUSH’N ATTACK é somente usado na América do Norte e desta forma é o título da versão para o Nintendo NES.

                                                                          

                O enredo do jogo é sinal de seu tempo, da era Reagan (que durou por quase a totalidade da década de 80), onde o protagonista, o boina verde controlado pelo jogador, invade uma base militar (claramente soviética e provavelmente situada em um lugar frio e remoto como a Sibéria) para resgatar prisioneiros. Arrogantemente armado apenas de uma faca (possivelmente a famosa faca de sobrevivência dos filmes do Rambo) mas capaz de pegar outras armas pelo caminho, é um “side-scroller” padrão onde se anda da esquerda para a direita chegando ao final da fase onde há um chefe ou um curto desafio de final de fase.

Screenshots da versão arcade

                                                      

                Conheci o jogo no microcomputador MSX, cuja versão renderia um artigo a parte, já que é inferior às versões de ZX Spectrum e Commodore 64, e não deveria ser, tendo em vista o brilhante histórico da Konami no MSX. Mas enfim, como uma criança sem parâmetro de comparação, achei o Green Beret de MSX interessante mesmo assim (o jogo com personagem em visão lateral que tínhamos como parâmetro na época era PITFALL no Atari 2600 – Super Mario Bros não fazia parte de nossa fechada “bolha” dos microcomputadores pessoais).

                Então veio o choque, lá para 1987 ou 1988 fui com uns amigos e o pai deles no fliperama Play Young no centro de Florianópolis e lá tinha o Green Beret original de arcade. Talvez até duas ou mais máquinas, o que sinalizava que aquele era um jogo popular, até bastante popular naquele momento. A diferença para o MSX era como da noite pro dia, um jogo muito rápido com resposta precisa e muita, mas muita ação. O som era alto e empolgava, era muito colorido e variado.

                Alguns anos mais tarde, migrei do MSX para o Commodore Amiga. Que é uma tremenda máquina capaz de rodar uma boa versão de Green Beret. Mas, Green Beret é um daqueles jogos que nunca foi convertido para o Amiga, não se sabe bem ao certo o motivo. Muitos outros clássicos não foram convertidos (Prehistoric Isle 1930, Rastan, Xevious, e por aí vai). O que por um lado é bom, nos poupando daquelas conversões grotescas que muitas vezes acometiam o Amiga (que comento neste outro post). E também abrindo espaço para esta oportunidade, que surgiu com o evento anual AmiGameJam 2021.

                Escolhi Green Beret/Rush’n Attack para o evento por ser um jogo curto (4 fases) que é realisticamente possível de ser desenvolvido e finalizado até o final do prazo da game jam, que é cerca de 5 meses. Mas vale lembrar que houveram duas outras tentativas de portar este jogo, uma para o Amiga mesmo, e outra para o MSX2. Desta forma demonstrando que em desenvolvimento de jogos, nunca há nenhuma certeza absoluta sobre os rumos das coisas, não importa o quão curto ou aparentemente “simples” o projeto possa parecer.

                Abaixo, video com um protótipo que fiz como prova de conceito, cobrindo a primeira fase inteira (só faltando mesmo a arma secundária do jogador) e também para sinalizar que já estou portando Green Beret, para os demais participantes da competição. Expectativas são baixas, sempre vai aparecer uma fera com um port “Arcade Perfect” de Street Fighter 2 rodando liso em um Amiga 1200 pelado, por exemplo, ou algo do tipo. Mas como dizem, o que vale é participar e representar o Brasil. 😉

Dante Mendes De Patta tem formação em Design, com linha de formação em Design de Jogos e Entretenimento Digital, pela Universidade do Vale do Itajaí, e trabalha com desenvolvimento de jogos digitais para diversas plataformas, inclusive retro (em um futuro próximo, se tudo der certo).

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