Mas puxa, estou com sede!

Meu primeiro contato com um videogame portátil foi com menos de 10 anos de idade, um Game Boy (clássico) da Nintendo, de um dos meus primos. Eu adorava ir na casa deles, brincar, jogar Super Nintendo, mas principalmente, jogar Kirby’s Dream Land no Game Boy (e às vezes Tetris, mas quando criança eu achava chato).

Mesmo tendo de ficar perto de algum abajur ou luz mais forte quando jogando a noite, como era possível algo tão legal e divertido, jogar a qualquer hora e em qualquer lugar, e sem “estragar” a TV de ninguém? E ainda sendo possível trocar os jogos, com cartuchos que cabiam na palma da mão!

O Nintendo Game Boy (Classic)

Alguns anos se passaram, e a cada nova revista Ação Games que eu lia, ficava “babando” na página de anúncios da Nintendo da Direct Shopping, com todas as cores e sabores do então “novo” Game Boy Color, sucessor do Game Boy (clássico) por apenas 3x de R$ 66,33 e os jogos por 3x de R$ 33,00 cada – na verdade não tão “apenas” para os padrões da época, especialmente que eu ainda não ganhava dinheiro por conta própria, a não ser a mesada que recebia dos meus pais.

Então um dia no caminho voltando da escola, vi um rapaz que trabalhava em uma padaria próxima jogando um Game Boy Color do modelo transparente, e pensei: “puxa vida, que legal, mais alguém que conhece e gosta dos portáteis! Preciso puxar papo com ele.”

E foi o que eu fiz, ganhei um novo amigo, e para a minha surpresa, ele ofereceu o Game Boy Color dele emprestado por alguns dias (ou será que foram semanas?) para que eu pudesse jogar e matar a vontade. E dentre os jogos, um dos melhores possíveis para eu aproveitar o empréstimo: Pokémon Yellow!

Este não foi o primeiro game da série Pokémon para os portáteis da Nintendo,
mas um dos melhores na minha opinião, por seguir a história do Anime

Ele já estava bastante avançado na aventura, e deixou por minha conta e risco os próximos passos. Quase encerrei o jogo, não fosse por um guarda (ou melhor, todos os guardas, um em cada entrada da cidade) que não me deixava entrar na cidade de Saffron: “I’m on guard duty. Gee, I’m thirsty, though! Oh, wait there, the road’s closed.” (“Estou de guarda. Puxa, estou com sede! Oh, espere aí, a estrada está fechada.” – agora traduzido em uma fração de segundos graças ao Google Tradutor).

Até recorri ao dicionário Português – Inglês na época e também pedi ajuda para alguns amigos para traduzir a frase, e entendi que ele estava com sede, e a estrada fechada. Mas o que fazer? Como fazer? Onde ir?

A imagem é de uma versão mais recente do game,
Pokémon FireRed / LeafGreen para o Game Boy Advance

Na época ainda não era tão fácil se encontrar dicas ou detonados de games na internet. Então joguei um pouco dos outros games do meu amigo enquanto não tinha nenhuma esperança de conseguir terminar a aventura.

Pesquisei um pouco mais, inconformado, quando li algo sobre o cruzeiro S. S. Anne, uma parte do jogo que meu amigo não se recordava se havia passado. Como eu também não passei, teimei que era por causa disso que a gente não conseguia entrar na cidade.

De alguma forma o convenci, mesmo com todas as conquistas e pokémons capturados, que teríamos de começar o jogo de novo. Do zero. Dando adeus a todas as criaturas, e itens, e dinheiro acumulado. E ele topou! Acredito que fiquei com o Game Boy Color mais um bom tempo, jogando o Pokémon Yellow, e zerando o estoque de pilhas do mercado próximo de casa.

Me recordo que acordava bem cedo para jogar bastante e aproveitar a luz do dia, e até planilha em folha de caderno inventei para controlar e ver o tempo de duração de cada tipo e marca de pilha, e ver em quais era melhor investir.

Mas agora não me recordo se já foi nessa segunda tentativa ou muito tempo depois que descobri que bastava eu ter alguma bebida ou comprada ou obtida em alguma cidade antes de Saffron, para oferecer ao guarda e então conseguir entrar na cidade – dando sequência ao jogo e me encaminhando ao término.

O tempo passou, mudei de cidade, e infelizmente perdi contato com este amigo. Mas me recordo que compartilhei com ele a “verdade” sobre esta parte do jogo, e de alguma forma, incrédulos, demos algumas risadas do ocorrido…

2 comentários em “Mas puxa, estou com sede!”

  1. Grande lembrança! Lembro bem desse gameboy e da padaria, bacana as amizades insolitas que nosso hobby proporciona. Parabéns pelo texto George, aguardamos o próximo!

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